Limpeza da floresta em Leiria. "É impossível de concluir todas estas operações" em 2026

Limpeza da floresta em Leiria. "É impossível de concluir todas estas operações" em 2026

A Câmara de Leiria avisa que não vai conseguir terminar este ano a limpeza da floresta depois das tempestades, projetando a operação para os anos seguintes. Além desta autarquia, também Figueiró dos Vinhos assume que a falta de meios humanos é um entrave neste processo.

Gonçalo Costa Martins - RTP Antena 1 /
Foto: Horacio Antunes - RTP Antena 1

Há 22 concelhos que já tiveram luz verde nas operações integradas de gestão de paisagem (OIGP). No total, segundo o jornal Público que cita dados dao Ministério da Agricultura e do Mar, são abrangidos 32.634 hectares como zonas críticas para limpeza florestal, depois das tempestades no início do ano.

O Estado considera que é prioritária a limpeza, já neste verão, de mais seis mil hectares.

O concelho de Leiria representa mais de 30% da área total. A câmara municipal confirma à RTP Antena 1 que foram identificados 10.489 hectares, a maior área de intervenção. Mas aponta como prioritários 1.171 hectares para este verão, com base em informação do Comando Integrado de Prevenção e Operações.

O Ministério da Agricultura refere que são 1.267 hectares, uma pequena diferença que a Antena 1 já procurou clarificar junto do Governo.

Em todo o caso, mesmo com esta diferença, o vereador da Proteção Civil na Câmara Municipal de Leiria duvida que seja possível cumprir o OIGP até ao final do ano.

"Estas operações integradas de gestão da paisagem têm um prazo já determinado pelo Governo, foram criadas apenas e só para retirada da madeira durante o ano de 2026", explica Luís Lopes à Antena 1.

Acrescenta: "Estas operações terminam em dezembro deste ano, o que claramente se percebe que é impossível de concluir todas estas operações".

Bajouca, Monte Redondo, Bidoeira de Cima, Souto de Carpalhosa, Ortigosa e Regueira de Ponte são as zonas de Leiria que têm mais área florestal afetada, segundo a câmara.

Além das operações integradas, o município afirma à Antena 1 que 72% dos caminhos florestais já foram desobstuídos: 663 quilómetros num total de 923 quilómetros.Dificuldade com mão-de-obra
Estas OIGP preveem a retirada de árvores e material lenhoso acumulado durante as tempestades.

A Câmara de Leiria volta sublinhar a "principal dificuldade": a "mobilização de recursos para este território".

"Já temos algumas empresas que manifestaram essa disponibilidade e que já estão a trabalhar connosco, mas são manifestamente insuficientes para a dimensão do problema que temos neste concelho e nesta região", diz Luís Lopes.

Não é fácil encontrar mão-de-obra na construção civil e na limpeza das florestas, assume também o presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos.
Portugal em Direto | 12 de junho de 2026

"Já contactámos alguns operadores e, a maior parte deles, o que nos dizem é que neste momento estão subcarregados com trabalho e não podem dar a resposta que nós desejamos", sublinha Carlos Lopes à Antena 1.

Neste concelho do distrito de Leiria, foram identificados 162 hectares para limpeza florestal na OIGP, Figueiró que é um dos quatro concelhos que ainda espera a aprovação do plano, juntamente com Ansião, Lousã e Mação.

O município de Figueiró dos Vinhos estima 200 mil euros para as suas operações.

Depois de Leiria, os concelhos de Pombal, Alcobaça, Ourém, Marinha Grande e Sertã seguem-se na lista das OIGP com maiores áreas de intervenção.
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